Perder a mala foi um sinal! Quando saí de Hamburgo sem ela, tive os dois dias mais felizes desta viagem: eu estava livre, solto, um carrão com tanque cheio e eu sem qualquer "peso" nas minhas costas! Depois a mala (e o peso) voltou.
Todo mundo já escutou aquela balela do "estar bem consigo pra estar bem com outro". Conversa pra boi dormir que entra por uma orelha e sai pela outra como tantas outras "auto-ajudas" da vida. Até quando a sentimos na pele.
Cometi um erro nesta viagem: vim pra cá mas deixei o rabo preso lá em casa, ou seja, não curti o "presente" (temporal e emocional) de estar aqui. Ao invés de ir num restaurante bacana, por exemplo, eu corri até o McDonald's, Subway ou até a lojinha do hotel só pra poder voltar pro meu quarto onde tenho internet. E ali ficava esperando um novo email, uma nova foto, uma mensagem, uma postagem, alguma coisa no Facebook... Digo "uma" em sentido figurado: queria uma avalanche delas pra me fazer companhia! À medida em que não chegava nada (foi uma semana particularmente "distante" pra todo mundo que podia suprir minha carência) eu fui ficando mais triste. Então chegou um comentário sarcástico num "pedido de ajuda" meu e aquilo terminou de me derrubar. Claro que não foi intencional por parte da pessoa... Mas agora eu acho que me foi muito necessário!
(Clima e fuso horário também contribuíram.)
Quando eu morava com minha Mãe, gostava de ficar sozinho. Fechava a porta do meu quarto e assistia a minha televisão, lia os meus livros, escutava a minha música. Mas isto com Mãe e a Irmã do outro lado da porta (num "apertamento" de 50m², estavam literalmente bem perto)! Em outras palavras, (percebo agora que) eu curtia uma "solidão" muito egoísta, mantendo distância suficiente apenas pra não ser incomodado, mas também pra ser "servido" prontamente caso eu desse um grito de "manhêêê, tô com fome!!"
Nestes últimos dois anos eu vivenciei que ter a pessoa amada muito perto me sufoca mas tê-la muito longe me deixa sem ar. Se eu fosse emocionalmente saudável os dois extremos seriam ruins e eu teria todo o direito de pedir mais espaço ou mais atenção! A questão é que não sou/estou saudável, portanto acho que o "meio" é que (no momento) não me faz bem: se a pessoa amada me desse um espaço ou chegasse mais perto, talvez isso só alimentasse aquela "solidão egoísta" a que fui acostumado durante anos. Já esses "extremos" talvez me ajudem a sair dessa zona de conforto e aprender algo novo.
Então no fim-de-semana veio a monja do Ermão, a filosofia ioga do UOL, o livro @mor que eu falei ali atrás. E a "auto-ajuda" fez todo o sentido: preciso curtir o presente. Viver o momento presente, estar sozinho quando eu estiver sozinho, estar com os amigos quando eu estiver com os amigos, estar com a pessoa amada quando estiver com a pessoa amada, estar na Dinamarca quando estiver na Dinamarca e no Brasil quando estiver em casa. Não deixar que cada um desses momentos invada muito o outro. Não querer estar muito "acompanhado" quando estiver sozinho (xô, internet!), vice-versa e etc.
Estar bem comigo mesmo quando estiver comigo mesmo pra estar bem com o(s) outro(s) quando estiver com ele(s).
Isto que almejo ainda é o "meio", o "equilíbrio", mas é bem o oposto daquele egoísmo ali do parágrafo acima.
Ainda não estou tranquilo ou feliz, ainda não tenho essa clareza toda internalizada em mim. A monja falou (e o Braccini sempre fala!) e desta vez eu prestei atenção: estar zen é um trabalho árduo, diário, e só eu posso fazê-lo. Dei um primeiro passo, e isto já me basta neste momento.
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P. S.: Um texto muito bom sobre "santocha", a prática do contentamento sobre a qual acabo de escrever, pode ser lido aqui.
7 comentários:
mas isto é uma boa oportunidade para vc exercitar e encontrar o meio termo e se equilibrar em suas emoções ... eu já sofri deste mal e hoje, felizmente, estou curado ... "Viver o momento presente, estar sozinho quando eu estiver sozinho, estar com os amigos quando eu estiver com os amigos, estar com a pessoa amada quando estiver com a pessoa amada, estar na Dinamarca quando estiver na Dinamarca e no Brasil quando estiver em casa. Não deixar que cada um desses momentos invada muito o outro."
bjão e fica bem
Eu já te falei que, além de tudo o que você é, sensível, correto, amigo, você também é um sábio?! E não há malas, monja, livro, nada... você apenas deixou-se falar, apenas ouviu-se falar, enorme sabedoria! Emocionante...
:-)
Concordo com o Lucas.... tudo está em vc, inclusive o tão buscado equilíbrio.
Beijos
Eu adoro voce!!!
Vai ser sensível assim na Dinamarca!!
parabéns pela reflexão. agora, não pode esquecer, releia esse texto toda semana para relembrar q vc precisa aprender a ficar um pouco sozinho tb. tamo junto nesse aprendizado, amigo.
vc nunca falou se gostou de espartanos né?
Vc, hein? Tá cada dia melhor. Logo logo vai estar "no ponto"... hehehehe!
Bjonas meu guru sensível-sensitivo!
E dip'n'lik voltou?!? Eu queroooooooo!
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