quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

felicidade vs. realidade

Postando por email a gente acaba se esquecendo de rascunhos. Este é de outubro. Não sei se está claro o suficiente pra publicação, mas vai assim mesmo. Se alguém ler e não entender, conversamos.

"Outro dia vi uma associação entre felicidade infantil e consumo de entorpecentes que me deixou pensando.

Antes de mais nada e extremamente importante, uso "entorpecente" em vez de "droga" porque acho que o uso recreativo, sem vício e desde que sem prejuízos grandes para a saúde, não é moralmente condenável.

Fiquei pensando justo nesse recreativo. Pessoas que se entorpecem pra relaxar, se divertirem. Isso sería o nível "um", o chamado consumo "social". Um segundo nível é quando o fazem (também) pra dar um tempo na chamada realidade.

De novo, e não posso acentuar o suficiente, não falo de vícios.

Emprego ruim, família ruim, (falta de) amores ruins, governo ruim, mundo ruim... é bem verdade que qualquer motivo desses que nos fazem querer fugir pra outra dimensão! Por isso até compreendo. Mas neste ponto meu pensamento abandonou os tais entorpecentes (meros veículos!) e ficou na fuga da realidade.

A monja do Ermão largou o LSD quando descobriu que "viajava" igual, meditando. E se não me engano existe em todas as culturas e religiões esse conceito de "conexão com o Divino", o Cosmos, a Coletividade, a Revelação. E isso é visto como bom e como objetivo a almejar.

Pensei que há um desvio na nossa interpretação quando a fazemos assim superficialmente. Porque a verdadeira Conexão, o verdadeiro Divino, não acontece quando nos desligamos da realidade. Acontece quando somos felizes dentro dela, apesar dela, por causa dela! O "barato" da meditação devia ser afastar as dúvidas, os medos e as decepções. Nunca - nunca mesmo - fugir deles.

Talvez a palavra nem seja "afastar" e sim "compreender" (mais que "aceitar") e, a partir disto, separar o que é real do que é fantasioso. E, claro, mudar o que for necessário pra se ter mais trigo do que joio!

Continuo a caminhar."

6 comentários:

Paulo Roberto Figueiredo Braccini - Bratz disse...

Mas o Edu ardo ficou tão reflexivo assim tão derrepente ...

Mas assino em baixo de todas as perspectivas que vc considerou ...

Eu me conecto com o Divino incorporando meu lado periguete ... transcendo totalmente ... rs

bjão

o Humberto disse...

Supimpíssimo o post. Esse penúltimo parágrafo, maravilhoso.

bjo meu caro.

Lucas disse...

Só um ligeiro pitaco. O que a monja (dela mesma, não minha... rs) quis dizer é que, se o que se quer é fugir, existem vários caminhos. O da meditação, que ela escolheu, não se presta, em sua ”real totalidade”, para “apenas” fugir. Ao contrário, ele é um caminho eficaz para que possamos “compreender” dúvidas, medos, decepções. E, a partir dessa compreensão, conseguir determinar a real abrangência disso... vivendo plenamente, por que não?! Não o “afastar”, mas sim o “estar diante”! Haja entre “”! (rs)

M. disse...

Gostei do exposto, mas acho que, uma vez que nos conhecemos, sabemos o real perigo que essa "fuga" da realidade pode nos trazer. Eu por exemplo, adoro cheiros, e por lei nenhuma eu me arriscaria a "cheirar" um baseado para me alegrar ou fugir da realidade. Nem mesmo beber uma cerva ou um tantinho de destilado para relaxar. Meu pai me mostrou que pode virar vício. Não, nem para relaxar. Eu gosto, mas nem tudo o que gosto e posso, me convém.
Mas já que meditar eu não consigo...vou levando tudo no estresse mesmo..rsr, fazer o que?

Ps: Lucas???? é você? kkkkk

Abraços Eduardo

Fred disse...

Bom... cof, cof... veja bem... eu bebo, fumo, falo palavrão e vez que outra - bem nível 1 - dou minhas viajadinhas... mas nada do que faço tem a ver com "fuga". Não creio em fugas - e nem em bruxas... hehe!
Viciante mesmo é esse Edu "reflexivo" - como disse o Braccinete! Bjs!

Fred disse...

Ah... e antes que eu esqueça: quer dizer que aqui o Lucas dá (!!!) o ar da graça?!? HUMPFT! Indignado agora!