quarta-feira, 31 de outubro de 2012

pavão misterioso

Quando a gente começa a trabalhar aos 15 anos facilmente se acostuma com o papel de ”arrimo de família”. Pensando melhor, a gente se acostuma com esse papel em qualquer época caso tenhamos condições de assumi-lo e caso não soframos de um egoísmo crônico. Tendo meios, é gostoso “prover”! Talvez até acione algo primordial ali pelo sistema límbico que nos recompense por cumprirmos a expectativa de “macho alfa” – talvez subconscientemente achemos que vamos comer muitas pererecas se pudermos “bancar as contas”. É um pensamento meio triste esse de sermos impulsionados por instintos mais que pela nossa vontade de “fazer o bem” mas, seja uma coisa ou seja outra, o que importa para este pensamento aqui, agora, é isso: quando a gente se acostuma a prover é difícil se acostumar a depender.

Um belo chute nas bolas do ego, eu diria. Ou nas tetas, no caso das meninas – e passei a entender perfeitamente toda a luta por emancipação do sexo oposto, culturalmente acostumado(/forçado) a ser mantido pelo seu macho mas que felizmente acordou e reagiu contra esse torpor.

Acontece que na dose certa, “depender” torna-se uma belíssima lição de humildade. E agora troco o “depender” pelos sentidos que pretendia desde o início: “deixar-se cuidar” e “pedir e aceitar ajuda”.

Saber amar é saber deixar alguém te amar. Gozado que esse verso da canção vem em todos os emails de notificação de “nota fiscal paulista” (verso escolhido por mim há alguns anos e que serve como atestado de autenticidade, nesses emails) mas somente este ano venho me permitindo ser amado naquele jeitinho que humilha mais: o financeiro. É mesmo bastante complicado a gente “dar despesa” pra outra pessoa, mesmo sabendo que essa pessoa não tem qualquer intenção de “domínio” sobre você (voltando ao sistema límbico, sim existem muitos que dominam e oprimem as relações com seu poderio monetário mas eu não estou namorando nenhum Eike Batista também...). Não sei se é mais fácil aceitar ajuda (ou presentes) de amigos que de amores, mas eu realmente passei a entender mais o desconforto dessa situação. Foi só a partir do momento em que acreditei de verdade que não estava me humilhando, que estava sendo acarinhado e cuidado (exatamente da forma como eu mesmo me alegro em fazer, quando dá!), que poxa... tudo ficou bem mais gostoso! “Saber deixar alguém te amar” tem muito a ver com o que eu escrevi ontem embora não esteja dizendo agora que aquele alguém esteja precisando desse tipo de ajuda.

Claro que por restringir a “conversa” ao aspecto “dinheiro” da coisa posso gerar indagações ou mal-entendidos. Sei muito bem que “i$$o” é somente um dos lados do “ser cuidado”. Falo dele, hoje, só porque é algo a que não fui acostumado e que por isso causou estranhamento algumas vezes nessa vida. Também, e por puro acaso do destino, não preciso de ninguém me sustentando...

… mas ontem, 33 graus no apartamento à 1h30 da madruga, eu já aceitaria de boa uma Vida de Princesa Britânica, ser completamente sustentado por um marido nababescamente rico, uma coisa bem “Val Marchiori”.

Porque ninguém merece torcer pra hora de ir pro trabalho chegar rápido só porque lá tem ar-condicionado!!

(Atualização - Tá confirmado: Neil Young ou Buffalo Springfield cantando "On the Way Home" são duas belas porcarias!)

7 comentários:

M. disse...

Já que está escrito em hieróglifos, só posso dizer que, realmente é humilhante ser sustentado quando se era arrimo de família.
Abraços

Anônimo disse...

Deixando de lado todo esse aspecto, digamos, subliminar, da nossa resistência em “deixar-se ajudar”, o que mais “pega” é que, ao precisarmos de ajuda, temos que reconhecer que falhamos... que somos, por nós mesmos, incapazes de realizar algo que, de uma forma, ou outra, sempre realizamos. O mais difícil não é pedir ajuda, mas sim reconhecer que, sozinhos, somos impotentes em relação a alguma coisa que deveríamos saber resolver. Ficou egípcio esse meu comentário?

PS: tive que ler 2 vezes... não porque não entendi, mas porque entendi de primeira! (rsrsrs)

Anônimo disse...

♪♫ Pavão misterioso
Pássaro formoso
Tudo é mistério
Nesse seu voar♪♫

Caralho!! agora esta música não sai da minha cabeça...

Unknown disse...

Mas nada foi escritores hieróglifos aqui, Margot...

Unknown disse...

Perfeitas as suas observações, Errmão! E que bom que entendeu, a intenção era essa mesmo.

Unknown disse...

Tá bom, vai... O título tá egípcio, mas isso só praqueles que insistem em querer uma relação entre título e texto, rsrs.

Paulo Roberto Figueiredo Braccini - Bratz disse...

Eu passei a minha vida sonhando [às escondidas é claro ... rs] com o surgimento de uma oportunidade destas: "Eu aceitaria de boa uma Vida de Princesa Britânica, ser completamente sustentado por um marido nababescamente rico, uma coisa bem “Val Marchiori”". Enfim ... minha sina é continuar com Elian mesmo ... é o q tem pra hoje e pra esta vida toda ... OMG!
rs