Há uns dias me comentaram achar estranho quando alguém adiciona/solicita amizade de algum desconhecido no Facebook e hoje novamente o assunto veio à tona com a pessoa dizendo que só aceita esse tipo de amizade depois de ser apresentada ao solicitante. Como o papo veio por escrito - e todos nós sabemos o quanto podemos ser mal-interpretados "no papel" - decidi não levar para um lado de "crítica". Também andei feliz demais hoje pra me incomodar com qualquer coisa. Decidi refletir sem preconceitos a respeito da observação.
Como fazer amigos?
Eu gosto de blogs! Acho que é a plataforma onde as pessoas têm o potencial de mostrarem o seu melhor lado. Podem discorrer com mais propriedade sobre suas personalidades, idéias, o que gostam, o que não. Mais propriedade e mais texto, mesmo: palavras escolhidas com cuidado, frases concatenadas com mais lógica...
(Não é o meu caso, eu "vomito" tudo que me passa na cachola, mas sigamos...)
Então pelos blogs é onde eu sinto que consigo conhecer mais de verdade alguém antes de tentar uma aproximação. E quando eu digo que aqui mostramos nosso "melhor" não é no sentido de que "lá fora" mostramos o pior! Eu bem sei que o ser humano tem todo um arco-íris dentro de si e que um Grande Filósofo Blogueiro pode ser um pentelho chato no FB sem que isso anule o fato de ser um grande caráter, uma grande inteligência e um enorme coração. Só quero dizer que via blog há uma maior chance de empatia num nível mais "profundo" (soa pretensioso mas não acho palavra melhor), e isso é uma boa base para uma amizade.
Aí tem o Facebook. E lá o povo é mais largado, #fato. Acontece que nem todo mundo escreve blog. Até os que escrevem andam fechando (uma lástima mas fazer o quê?). Até entendo uma certa conotação "tô te adicionando porque quero te comer" que a famosa rede social possa ter. Raios, demorei quase um ano pra saber que "cutucar" era levado por esse lado - eu, bobão, achava que era só um jeito fofinho de dizer "oi!" Mas enfim, nem todo mundo escreve blog. Daí o FB se torna a "segunda melhor coisa" pra eu tentar descobrir um novo amigo. Estão lá fotos, comentários, curtições, amizades da pessoa... (e vídeos imbecis, marcações em fotos de travecos, comentários sobre bebedeiras e por aí vai). Se empresas usam o FB pra avaliar contratações, por que eu não poderia fazer o mesmo pra avaliar amizades?
Mas vejamos o "ser apresentado antes". Imagino que meu amigo quis dizer "pessoalmente", porque se for "virtualmente" não é tão distinto do que acabei de falar: se eu adiciono alguém que não conheço mas temos amigos em comum, acho que é quase como se esses amigos me estivessem apresentando a pessoa... Enfim, pra encurtar (really?) fiquemos no "pessoalmente": pra ser apresentado a alguém isso na maioria das vezes é em algum evento social. Festa, café, bar, show. Não sou muito bom disso mas outros têm seu traquejo e conseguem estabelecer bons papos num primeiro encontro desses, a ponto de considerarem "ok" uma mútua adição Facebookiana logo em seguida. Mas será que esse papo "pessoal" é tããão mais "rico" assim? O quanto a gente conhece de uma pessoa, numa festa, que não possamos conhecer também (ou mais) pelo perfil da dita cuja na Rede? Sem contar que conversa séria mesmo é coisa rápida: logo tá todo mundo "alto" ou "chapado" e aí o papo descamba para a (saudável) palhaçada. Eu até entendo que uma camaradagem se forme a partir disso porque também me sinto "companheiro de copo" quando encontro alguém que não beba nem fume ou que goste de algumas músicas da Sandy. Ser humano gosta de pertencer a grupos afins e o que normalmente chamamos de "amigo" é justamente alguém com quem tenhamos afinidades.
Concordo que uma conversa "olho no olho" é a melhor forma de comunicação. Não fui eu que escrevi ali em cima que "no papel" a gente é mal-interpretado? Pois então... Comunicação verbal em primeiro, por escrito (ou postado/compartilhado) em segundo.
Concordo que é difícil acreditar que alguém possua 1349 "amigos" (de verdade) na rede. Meu Facebook hoje tem 72 pessoas, sendo que 40 delas eu conheço pessoalmente e só 17 não conheci pela internet como primeira forma de contato.
Talvez eu seja nerd demais ou tímido demais. Talvez por não beber ou por ser gay seja eu que não tenha conseguido desenvolver um método de aproximação mais "carne e osso" e eu de novo reconheço e ratifico minha dificuldade. A tal Monja do Ermão me convidou a trabalhar mais nisso.
Mas nunca me arrependi das amizades que conquistei, seja no mundo "real", seja no "virtual" (blog, facebook, instagram ou netmeeting). A meu ver, já faz tempo que essa separação de um e outro ficou no passado.
Tendo a chance ainda quero abraçar "de verdade" as 30 pessoas que me faltam (2 perfis são duplicados, dos 72...), sem que isso signifique que hoje me são menos importantes do que as que já abracei.
Não sei se me fiz claro e se algum dia a pessoa vier a ler isto aqui espero que não fique chateada porque não a estou criticando de jeito nenhum. Apenas o assunto me provocou uma reflexão e quando isso acontece... eu escrevo. :-)
9 comentários:
Excelente reflexão sobre duas coisas distintas: a blogo e as redes sociais.
Estas, com destaque para o FB, servem para se cumprimentar amigos por aniversários que doutra forma não recordaríamos e para pequenas notícias ou fotos que julgamos interessantes. Não dá para manter uma conversa, tipo diálogo escrito defendendo pontos de vista opostos (só frases soltas, quando não, alguns insultos). E dá sim para tentativas de engate que começam muitas vezes nos pedidos de amizade sem qualquer fundamento até perfeitas propostas de sexo.
Já na blogo é diferente. uma pessoa pode explanar um assunto e por um comentário um pouco mais desenvolvido até pode divergir de um texto e manter um diálogo enriquecedor. E quanto a amigos, quantos não fiz já, na blogo, muitos deles já nem blog têm, mas a amizade continua, não o sexo. Não vou dizer que não haja quem esteja na blogo, visando o sexo, mas é um número ínfimo de pessoas.
Foi aqui na blogo que te conheci, que contigo tenho "convivido" e me tornei teu amigo. Só por isso já valeu a pena.
Pena é que muita gente com valor para escrever e possuía blogs maravilhosos, os tenham abandonado para emigrarem para o FB, onde ficam orgulhosos das suas tiradas terem, não meia dúzia de comentários, mas dezenas de "gosto" de gente que nunca chegam a conhecer...
Já aconteceu comigo algo que acredito ser o ideal no face, vê alguém aparentemente interessante, geralmente, amigo de amigo, escrevo uma msg de aproximação e porque o desejo de conhecer melhor e add como amigo, o cara aceita, começa uma troca de ideias e depois de um tempo ambos vêem se os interesses continuam(no plano do coleguismo mesmo), caso não, um toma a iniciativa de excluir do perfil do rol de amigos e pronto! Experiência experimentada. Agora, add a esmo sem uma msgenzinha qualquer, não rola não.
Ainda bem q as pessoas são assim queridão ... imagina se tudo fosse igual? seria difícil de se viver ... temos q ter os imbecis, os chatos, os intolerantes, os preconceituosos, etc etc etc etc ... isto faz parte da diversidade ... agora, na hora de escolher o nível de proximidade sim ... isto pesa ... bom seria se nenhum dos tipos fossem radicais ... o pela saco um pouco menos [rs], o intolerante um pouco menos, o preconceituoso um pouco menos etc etc etc ...
No mais, vc está corretíssimo em sua análise temática e assino em baixo ...
bjão
Verdade verdaeirissima, Bratz! O bacana é a gente se misturar. E talvez não tenha me expressado muito bem mas quis dizer que uma amizade começar ou se manter pelo facdbook "largado" é tão valido e interessante quanto uma que apareça via blog "profundo". Num caso a gente vai descobrindo a profundidade do outro com o tempo e no segundo caso a gente vai descobrindo a leveza.
Acredito que você conheça a minha opinião. Acho o FB de uma chatice impar! Já “olhei” várias vezes, em diferentes ocasiões, tentando entender, dando uma chance (quem sabe o chato não sou eu?!)... mas, nada! Pra mim (sem querer que isso seja para todos) é como tentar fazer de um “meu querido diário” adolescente, alguma coisa interessante para marmanjos. O que está errado é o formato. Não engrena! Não dá liga!
Blog é outro papo. É uma exposição de ideias/imagens/mensagens/baboseiras, posta a público. E só isso também! E não acho que deva ser algo pra prêmio Nobel, pois pra isso existem outros formatos mais adequados. E, nenhum dos dois formatos, “deveriam” (novamente é o que eu penso) servir para encontrar o que só é possível no âmbito do real.
Off-Topic: precisamos combinar então...
Eu ganhei um Ermão via blog. Não teria acontecido de outra forma. Até porque ele é um troglodita que não sai de casa quase nunca!! :-)
Ledo (bonito isso!... rsrsrs) engano! Eu ganhei um ermão via realidade.
Edu... vc/eu esta/estou bebendo alguma coisa, que está te/me fazendo escrever/entender o que escreve ultimamente (2 posts...rsrs, acho!!!
Bom, mudando de pano pra manga... concordo contigo, e acrescento o comentário do Paulo e sua réplica, ao texto.
No blog, conheci vocês(o que me dá muito prazer)e o quão profundos, alegres, tristes e engraçados podem ser.... amizade que com alguns estendi ao FB, que considero um cartaz onde se cola coisinhas desimportantes e diárias. Ele,(o FB),não me faria falta. Já o blog sim... mesmo que um dia eu pense/tenha de fechá-lo. Mas mesmo que isso aconteça, sempre terei a alegria, e quem sabe a felicidade, de já tê-los conhecido pessoalmente.
Já fui recusada no FB por pessoas que conhecia, e já recusei outras de quem nunca ouvi falar.
É a vida!!
Beijos Eduardo....
Está feliz ainda???? rsrsr
Bacana a reflexão, Edu - E é engraçado, em todos esses anos de internerd, fiz várias amizades virtuais MUITO significativas, inclusive com pessoas que, acredito, tenho uma chance MUITO pequena de encontra pessoalmente.
Até por que, comparar desfavoravelmente uma amizade virtual com uma "amizade real" é implicar que todo o seu relacionamento "no mundo real" é significativo e profundo, o que obviamente não é verdade.
Grande abraço,
J.
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